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Porque para além de ler os livros que escrevem, há também que saber mais sobre eles. A ver se consigo fazer isto mensalmente. Aqui fica a primeira tentativa: Julio Cortázar, um escritor que ainda não tive o prazer de ler, mas que quero muito descobrir.

 

Julio Cortázar

 

O escritor argentino nasceu em 1914, em Bruxelas, e mudou-se para a Argentina aos quatro anos, depois do final da primeira Guerra Mundial. Cresceu em Banfield, uma cidade perto de Buenos Aires e, em criança, passou muito tempo de cama, doente, lendo livros seleccionados pela mãe, considerando-se, por isso, que a mãe de Cortázar foi determinante no seu interesse pela literatura. Formou-se Professor de Letras em 1935 e, em 1938, editou um livro de poemas sob o pseudónimo “Julio Denis”. Um dos seus primeiros contos foi publicado em 1946, numa revista editada por Jorge Luís Borges.

Em 1951, devido às suas divergências com a ditadura vigente na Argentina, mudou-se para Paris, continuando a visitar a Argentina regularmente, até ser exilado no início dos anos 70. Em Paris, surgiu a possibilidade de Cortázar traduzir toda a obra em prosa de Edgar Allan Poe. Esta foi considerada a melhor tradução de Edgar Allan Poe em espanhol. Para além de Poe, Defoe e Marguerite Yournecar foram também traduzidos por Cortázar. Em Paris, trabalhou também como tradutor e intérprete para a UNESCO e outras organizações. Em 1963, o seu segundo romance, “O Jogo do Mundo”, marcou em definitivo o nome de Julio Cortázar na literatura.

Em 1970, viajou até ao Chile, onde se solidarizou com o governo de Salvador Allende e, em 1971, foi “excomungado”, juntamente com outros escritores, por Fidel Castro, por ter pedido informações sobre o desaparecimento do poeta Heberto Padilla. Apesar deste acontecimento, continuou a acompanhar com grande interesse a situação política da América Latina. Em 1974, esteve reunido em Roma, como membro do Tribunal Bertrand Russel II, para examinar a situação política na América Latina, em particular as violações dos Direitos Humanos. Em 1976, viajou para a Costa Rica, tendo feito uma viagem clandestina até Solentiname, na Nicarágua, que se encontrava também sob um regime ditatorial violento.

Em 1983, a democracia voltou à Argentina e Cortázar fez uma última viagem ao seu país, tendo sido recebido calorosamente pelos seus admiradores, que o abordavam constantemente na rua, apesar da indiferença demonstrada pelas autoridades nacionais. Depois de visitar todos os seus amigos, voltou a Paris, sendo-lhe outorgada a nacionalidade francesa.

Cortázar faleceu de leucemia, com 69 anos, em Fevereiro de 1984. A sua vasta obra inclui poesia, romances e volumes de contos. Em português encontram-se publicados “O Jogo do Mundo - Rayuela”, “A volta ao dia em 80 Mundos”, “Papéis Inesperados” e “Gostamos tanto de Glenda”, pela editora Cavalo de Ferro, que prosseguirá com a publicação da obra deste autor.

Apesar de Cortázar ser mais conhecido como um mestre moderno do conto – foram os seus contos que declararam directamente o seu fascínio pelo fantástico –, os seus quatro romances mostraram-se inovadores na sua forma, enquanto, ao mesmo tempo, Cortázar explorava questões básicas sobre o Homem na Sociedade.

 

Comprei muito recentemente A volta ao dia em 80 mundos, uma colectânea de textos literários que abrange o conto, a poesia, o ensaio, o comentário humorístico e autobiográfico, e que tratam temas tão variados como o boxe, a política, técnicas culinárias, sadismo, Paris, entre outros, tudo alternado com ilustrações e fotografias escolhidas pelo próprio autor. Depois de o ler deixo por cá a minha opinião.

 

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publicado às 10:01



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